Capítulo 11

É claro que minha prima ainda não havia percebido quem chegara, pois assim que visse, iria ter uma guerra naquele lugar, ainda mais por estar um pouco bêbada. Sophie continuou entretida olhando Matt tocar, até ele virar o rosto e largar o violão. — Até que enfim idiota! Foi comprar essa merda aonde? – Se levantou, dando um tapa na cabeça de Frederick, enquanto Gregory levava as pizzas até a mesa.

— É que tava cheio… – Sua voz falhou quando viu minha prima, e eu continuei olhando a cena, com certeza aquilo ia ser melhor que novela. — Sophie? – Ela ergueu o rosto e ficou boquiaberta, imóvel. — O que você ta fazendo aqui?

— Vocês se conhecem? – Matt perguntou, abrindo uma caixa e pegando uma de calabresa.

— Sim.

— Infelizmente. – Sophie começou, e se levantou logo depois. — Ele… É lá da escola…

— Eu quase me esqueço que esse babaca ainda é uma criança. – Gregory riu, pegando um pedaço e se jogando ao meu lado no sofá.

Mas apesar dos raios saindo dos olhos um do outro, e o silêncio constrangedor, minha prima só pegou um pedaço de pizza, e se sentou no braço do sofá. — Posso jogar depois? – Perguntou, como se o cara que chama de “amor de sua vida” estar presente ali, não fosse nada demais.

— Ok, quem perder você entra. – Dean respondeu, sem ao menos tirar os olhos da televisão de plasma. — Me passa um pedaço ai viado! – Gritou, e apenas segundos depois, Fred lhe obedeceu. Por que todos ali tratavam ele como uma empregada?

— To afim de uma música. – Matt disse, um tempo depois. Ele estava chapado, havia fumado alguma coisa que tirou da sua mochila, e aquilo deixou ele completamente avoado. Se levantou rindo e sem nenhum equilíbrio, resolvi ajudá-lo a levar as caixas de som para o jardim, ele não parecia estar com cabeça para isso.

Ligamos o som, e começou a tocar uma música eletrônica, todos estavam no jardim, espalhados, fumando, bebendo e conversando, bem em frente à piscina. — Tenho um desafio pra você… – Ouvi alguém sussurrar no meu ouvido, mas sabia que era Nate.

— Manda. – Sorri, me virando em sua direção e soltando a fumaça em sua direção. Mas o vento gelado a levou para o lado.

— Quero que você pule na piscina.

— Jura? Só isso?

— Sem roupa. – Rolei os olhos, ele só queria uma desculpa para me ver nua. Idiota.

— Vai você primeiro. – Ele abriu um enorme sorriso bêbado na mesma hora, pisando no seu cigarro e largando sua blusa no chão mesmo. Tirou sua calça jeans skinny, deixando a mostra uma boxer preta. Deu alguns passos na direção da água, mas antes de pular, se virou para mim e piscou o olho. Se jogando sobre a água.

— SUA VEZ! – Gritou, jogando seu cabelo para o lado, mas eu neguei com a cabeça. — Só nos seus sonhos.

— Ei, não vale! – Respondeu irritado, o que me fez gargalhar. Mas enquanto ele saia da piscina, vi Gregory vir na minha direção, e de todos ali, ele era sem dúvida, o mais chapado.

— Duvido você fazer o mesmo. – Falou baixo.

— Você sabe que eu não tenho medo de nada.

— Então me mostra. – Rolei os olhos, tirando a minha regata branca, e logo depois a minha bota. Desabotoei minha calça jeans e larguei sobre o chão. Corri e sem ao menos pensar, pulei na água, que pelo menos estava quente.

— SATISFEITO?

— Quase. – Respondeu, um pouco antes de ficar somente de samba-canção e se jogar na água, nadando lentamente até mim, tão perto que pude sentir sua respiração. E eu até podia estar um pouco bêbada, mas não tanto quanto ele, ainda continuava com a minha palavra. Não queria mais nada com ele. Mesmo assim, fui nadando de costas, até parar na beirada, e Gregory apoiar seus braços a minha volta, me deixando completamente sem saída. Mordeu seu lábio inferior, segurando um sorriso idiota um pouco antes de tentar me beijar, mas eu virei o rosto. — Vamos lá, eu sei que você ainda me quer… – Sussurrou, e eu abri um sorriso, passei a mão sobre os cabelos molhados dele e me agarrei em seu pescoço, mordendo o lóbulo da sua orelha.

— Acorda, já acabou. – Beijei o canto da sua boca e o empurrei para trás, me dando espaço para sair dali. Nate já havia se enxugado com uma das toalhas que estavam sobre uma cadeira e fiz o mesmo, me vestindo novamente e ficando longe de Greg. Não precisava de um idiota no meu pé.

Era incrível como minha prima ignorava completamente o Frederick, mas ele não desgrudava os olhos dela. Talvez significasse algo, ou talvez não, afinal, o que eu sabia sobre amar alguém?

— Vamos jogar alguma coisa? – Cheguei por trás de Matt, me apoiando em seu ombro.

— Strip pôquer. – Nate sugeriu, com um sorriso malicioso.

— Ow cara, nem to afim de te ver pelado.

— Verdade ou desafio, que tal? – Sugeri, Sophie sorriu de forma estranha, mas deu de ombros. Os meninos saíram para chamar os outros e fiquei sozinha com minha prima.

— O que foi? Por que essa cara?

— E se eu tiver que responder algo para o Fred?

— Você acha que ele não ta bêbado? Nem vai se lembrar amanhã.

— E se lembrar?

— Você tem que começar a dizer foda-se para a vida. – Rolou os olhos e saiu de perto de mim, eu sabia que não dava os melhores conselhos do mundo depois de beber, mas ela já estava fazendo drama.

Nos sentamos na grama em forma de roda, e depois que Gregory matou uma cerveja, colocou a garrafa no centro e a girou. Caiu para Matt responder, e Dean perguntar. Ambos abriram sorrisos bêbados. — Desafio! Pode mandar! – Pegaram um copo gigante e encheram com vodka pura.

— Vira! – Matt gargalhou, como se aquilo fosse fácil.

— Me da aqui. – Agarrou o copo e começou a beber, fazendo várias caretas e fechando bem os olhos. Ele já estava muito louco, imagina depois disso. No fim, algumas gotas escorriam pelo seu pescoço e paravam na sua blusa, até estar vazio. Bateu no chão e sorriu, balançando a cabeça rápido. — Fácil!

— Doido! – Gritei, dando um tapa em seu ombro e ele continuou sorrindo, girando novamente a garrafa.

— Desafio gata, pode mandar. – Nate disse, do outro da roda, piscando o olho direito.

— Te desafio a entrar na casa do vizinho e trazer algo. – Ergui a sobrancelha, achei que ele não faria. Mas bastou alguns segundos para ele se levantar, andar até o muro lateral e pular. Levantei e subi em uma cadeira para poder olhar por cima do muro. Esses meninos não eram normais. Combinavam comigo, ótimo. Nate atravessou o jardim do vizinho, as luzes estavam apagadas, seria muito fácil se não tivesse ninguém lá. Por sorte, a porta da varanda estava aberta, o que o fez entrar na casa com uma facilidade enorme. Não podia mais vê-lo, porém, observei uma luz se acender em outro cômodo e meu coração foi a mil.

— Acho que tem alguém lá. – Comentei, e todos se levantaram correndo. Desci da cadeira, enquanto os meninos morriam de rir, e Dean me abraçou.

— Se ele for pego, eu te dou um beijo!

— Dispenso. – Respondi, rindo também.

De repente começou uma gritaria, e não precisei ver para saber o que estava rolando. Haviam visto ele. — Ele ta vindo! – Gregory gritou, descendo da cadeira e ajudando Nate a pular o muro.

— Não acredito que tu fez mesmo isso. – Sophie disse, pasma.

— Mas trouxe algo? – Perguntei.

— É, olha as regras! Quem não cumpre tem que pagar. – Gregory disse, colocando pilha. E até que essas regras eram boas, eu ia gostar de ganhar uma grana assim tão fácil.

— Bom, eu… – Os meninos já se preparavam para bater nele, quando tirou uma garrafa presa na sua calça. — Só esse absolut, serve? – Sorri, não tinha nada melhor para ele trazer. Mostrei a língua para aquela cara de convencido vitorioso dele, e voltamos para o jogo.

— E ai Marinne, verdade ou desafio? – Greg perguntava, me fitando com cautela. Mas eu tinha que pensar, provavelmente ele iria me desafiar a fazer algo idiota, do tipo beija-lo, portanto, preferi escolher o outro.

— Verdade. – Ele rolou os olhos.

— Por que você não me quer mais? Ninguém nunca me rejeitou.

— Ah que prazer em ser a primeira. – Tive que rir.

— Responde, se não paga! – Falou, nervoso.

— Porque… Já passou, como foi mesmo que você disse? – Parei um segundo, forçando a memória. — O problema sou eu, quero curtir a vida, e não ficar presa a alguém. Ainda mais um idiota como você.

— Ow, não precisa ofender! Não te chamei disso.

— Para de ser bixinha Gregory, gira isso Nine. – Sophie resmungou, dando um gole na sua bebida, pelo visto ela estava bem a vontade… Ou bêbada.

Girei a garrafa, para a minha surpresa, minha prima não ficou tão agoniada quanto estava antes. Talvez algumas doses extras de álcool tenham feito a diferença. E Frederick pareceu contente em tê-la em sua mão para lhe explicar tudo. — E então Sophie, verdade ou desafio?